domingo, 29 de março de 2015
sexta-feira, 27 de março de 2015
Guia fotográfico de identificação da Herpetofauna
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Biomas do Brasil
©iStockphoto.com/William Walsh Amazônia é o maior bioma brasileiro. |
A floresta amazônica é a maior e mais diversa floresta tropical do planeta, com quase 7 milhões de km2 e abrigando mais de um terço das espécies existentes no mundo. Sendo que, mais da metade deste bioma está localizado em terras brasileiras. A Amazônia não é só uma floresta, lá está localizado a maior bacia hidrográfica do mundo, a bacia amazônica, com mais de 1.100 afluentes. Para se ter uma idéia, dos mais de 2.000 mm de chuva que caem na floresta por ano, 50% são oriundas da água evaporada da própria bacia.
A Amazônia pode ser dividida em dois tipos de relevo: as várzeas que se estendem ao longo dos rios e estão sempre inundadas e as florestas de terra firme, que cobrem a maior parte da floresta. Estes relevos, dependendo da visão, poderiam ser considerados dois biomas diferentes.
Apesar da grande riqueza da floresta, o solo, mais do que em outros biomas de florestas tropicais, é extremamente pobre, sendo que apenas 10% da Amazônia possuem solos férteis o bastante para atividade agrícola.
A Mata Atlântica já cobriu cerca de 15% do território nacional. Hoje, restam apenas cerca de 7% da cobertura original da Mata. Por isso, é a floresta tropical mais ameaçada do mundo, sendo considerada um dos cinco principais hotspots de biodiversidade do planeta. A Mata Atlântica, juntamente com a Amazônia, compreende um terço da área de florestas tropicais da Terra.
Este bioma se formou sobre uma extensa cadeia de montanhas que acompanha quase todo o litoral brasileiro. Por isso alguns autores a considerem como um mosaico de biomas, como as florestas úmidas de Araucária, as matas de encosta e a floresta estacional semidecídua, que é encontrada principalmente no interior de São Paulo, sendo classificada como uma floresta tropical sazonal.
Nela são encontrados diversos animais ameaçados de extinção, como o mico-leão-dourado, o cachorro-vinagre e o mono-carvoeiro.
O bioma Cerrado se caracteriza por diversas fisionomias. Estas formações variam desde o cerradão, que se assemelha a uma floresta, no entanto mais seca, passando pelo cerrado mais comum no Brasil central, com árvores baixas e esparsas, até o campo cerrado, campo sujo e campo limpo com uma progressiva redução da densidade arbórea. Ali, ainda encontram-se as florestas de galeria que seguem os cursos dos rios. Apesar de possuir uma aparência árida e ter solo pobre apresenta uma rica biodiversidade, sendo considerado o bioma de savana mais diverso do planeta com mais de 10 mil espécies de plantas.
Como a Mata Atlântica, o Cerrado sofreu profundas alterações em decorrência da ocupação antrópica e hoje restam menos de 20% da formação original, apontando com um dos hotspots de biodiversidade.
A Caatinga, palavra de origem tupi que significa “mata branca”, provavelmente recebe esse nome em alusão a vegetação sem folhas que predomina durante o verão. Este é um bioma que para alguns é exclusivamente brasileiro. Apesar de raso e conter uma grande quantidade de pedras, o solo é razoavelmente fértil. No entanto, as secas prolongadas que às vezes podem durar mais de um ano e o da maioria dos rios serem sazonais, com exceção do rio São Francisco, a agricultura na região só se torna viável com a construção de açudes e irrigação do solo. Essas técnicas têm transformado o solo dessas regiões, que se encontra muitas vezes salinizado.
Apesar de toda aridez, a caatinga agrupa uma grande diversidade biológica, sendo que duas das aves mais ameaçadas do Brasil ali se originam: a ararinha-azul (Anodorhynchus spix), considerada extinta na natureza e a arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari).
©iStockphoto.com/Torsten Karock Dependendo da época do ano, o Pantanal fica com 80% da área submersa |
Os rios que cortam o Pantanal, principalmente o Paraná, com o início do trimestre chuvoso em novembro, elevam seu nível de água e acabam desaguando no Pantanal. Por esta razão o Pantanal é conhecido como a maior área alagável do planeta, podendo ficar com 80% da sua área submersa, o que equivale a uma área de 144.294 km2 do pantanal brasileiro. A partir de maio inicia-se a "vazante" e as águas começam a baixar lentamente até o solo secar totalmente. Áreas de Cerrado, Caatinga e de matas ciliares são comuns no Pantanal, transformando este bioma, como outros, em um mosaico de biomas.
Apesar da grande biodiversidade, com 1.647 espécies de plantas e mais de 1.000 espécies de vertebrados superiores, o Pantanal apresenta baixo endemismo, conceito de espécies exclusiva de uma determinada região. Para se ter uma idéia todas as plantas e animais superiores que lá se encontram são comuns em outros biomas brasileiros. No entanto, o local se tornou um refúgio para muitas espécies de animais que se tornaram extintas em outros biomas.
É chamado de Pampa o bioma de campo temperado que ocorre no sul do Brasil, além da Argentina e Uruguai. Esses campos são dominados por gramíneas que variam entre 10 e 50 cm de altura e o solo é naturalmente fértil. Com isso, a agricultura rapidamente se expandiu nesta região, causando a desertificação do solo.
O pampa gaúcho, que corresponde a 63% do território do Rio Grande do Sul, é um dos maiores centros de biodiversidade campestre do mundo, os 41% de vegetação nativa restantes abrigam cerca de 3 mil espécies de plantas e estima-se algo em torno de uma centena de mamíferos terrestres, como o Lobo Guará, o Veado Campeiro e Gato dos Pampas (Felis Colocolo) ameaçado de extinção , e 400 aves como a Curruíra do Campo e o Papa Mosca do Campo.
Fonte: howstuffworks.com
domingo, 25 de outubro de 2009
Principais biomas do mundo
As florestas tropicais se desenvolvem em baixas altitudes e próximas do equador, entre os trópicos de Câncer (30oN) e Capricórnio (30oS), estando presente em ambos os hemisférios e encontradas principalmente na África, Austrália, Ásia e Américas Central e do Sul. No Brasil correspondem à floresta amazônica e à Mata Atlântica.
Todos os biomas do mundo podem ser considerados os primos pobres, quando comparados com as florestas tropicais. Isto porque este bioma, apesar de cobrir apenas 6% da cobertura da Terra, abriga mais da metade das espécies de plantas e animais do planeta. Ainda não existe uma hipótese conclusiva para a grande diversidade de espécies existentes neste bioma, mas uma das mais empregadas é que quando ocorriam as grandes eras do gelo, essas florestas por estarem próximas aos trópicos não se congelavam por completo, mas formavam “ilhas” de florestas isoladas e após milhares de anos isoladas, essas diversificavam, quando uma era do gelo terminava, essas florestas formavam, novamente, florestas contínuas, cada vez mais diversificadas.
©iStockphoto.com/Sebastien Cote A diversidade biológica é a grande característica das florestas tropicais |
Este é o bioma de maior produtividade biológica da Terra, resultado da alta radiação solar, com temperaturas que variam entre 18 e 30° C, e do alto índice pluviométrico já que recebe durante um ano inteiro mais de 2000 mm de chuvas. Todos os outros biomas são mais frios ou mais secos e todos são mais sazonais, ou seja, todos possuem estações mais definidas com as chuvas restritas a determinadas épocas do ano que as florestas tropicais. Na verdade, as florestas tropicais mantêm uma temperatura praticamente invariável ao longo do ano, com pouca distinção entre verão e inverno, ocorrendo uma ou mais épocas um pouco mais secas.
Essas florestas são formadas por árvores que alcançam entre 18 e 46 metros de altura. A vegetação é nitidamente estratificada verticalmente com, no mínimo, três estratos, cada um com um microclima, fauna e flora específica e adaptada. A parte mais alta da floresta é chamada de dossel, e possui uma grande densidade de folhas sempre verdes e galhos que se espalham para captar o máximo de luz solar. Quase todas as ações em uma floresta tropical ocorrem no seu dossel, incluindo fotossíntese, floração, frutificação, predação e herbivoria. Devido à densa cobertura no dossel da floresta, a parte mais inferior da floresta, chamado de sub-bosque, recebe pouca luminosidade e não é denso sendo composto de espécies arbustivas e herbáceas. Estas plantas são adaptadas para fazer fotossíntese com pouca luz, e são chamadas de umbrófilas. Por outro lado, uma característica comum em florestas tropicais é o fato de muitas plântulas e árvores jovens permanecem por muitos anos dormentes, esperando uma oportunidade para crescerem e alcançarem o dossel da floresta. Esta oportunidade só ocorre quando uma clareira é aberta fornecendo luz e espaço para esta planta crescer até o dossel da floresta. Essa batalha travada dentro da floresta por espaço e luz, faz com que algumas espécies tenham estratégias diferentes para alcançar o dossel, como as trepadeiras e lianas, que são plantas longas, que escalam as grandes árvores e depois se misturam a copa das árvores. Algumas espécies de plantas, chamadas epífitas, crescem diretamente na superfície úmida superior das árvores. Estas plantas, que incluem uma variedade de orquídeas e samambaias, formam a área mesófila, o estrato da floresta abaixo do dossel; e, por não poderem retirar nutrientes do solo, retiram de fendas e húmus das árvores.
Nestas florestas há uma grande queda de folhas formando a serrapilheira, a qual é rapidamente decomposta por espécies decompositoras, geralmente microorganismos, fazendo que os nutrientes sejam rapidamente liberados no solo. Devido o processo de lixiviação que pode levar os nutrientes para locais no solo inacessíveis para as plantas quase todos os nutrientes da floresta estão contidos nas próprias plantas. Isto faz que o solo de uma floresta tropical seja pobre em nutrientes.
Nas florestas tropicais plantas de um mesmo gênero podem florescer em épocas distintas do ano, provendo recursos durante o ano inteiro. Não há uma espécie claramente dominante, situação diferente das florestas de coníferas no hemisfério norte. São espécies características da floresta tropical as castanheiras, o guaraná, seringueiras, palmeiras, samambaias, bromélias e orquídeas.
Dentre as florestas tropicais existem as florestas tropicais sazonais, também chamadas de subperenifólias, estas são consideradas por alguns autores como biomas distintos. Essas florestas possuem um período de seca pronunciado e algumas ou todas (depende da severidade da seca), as árvores perdem suas folhas. Essas florestas ocorrem, por exemplo, na Ásia tropical e no interior do estado de São Paulo, onde são chamadas de florestas estacionais.
©iStockphoto.com/Klaas Lingbeek- van Kranen Calor e chuvas esparsas são características das savanas. |
A vegetação que predomina nesse bioma é herbácea, geralmente baixa, com algumas árvores e arbustos espaçados entre si. Nas savanas, ao contrário do que ocorre nas florestas tropicais, uma única espécie de gramínea ou árvore pode dominar a paisagem por grandes áreas.
A fauna das savanas, principalmente de grandes herbívoros e carnívoros, não é superada por nenhum bioma do mundo. Nestes biomas são encontrados a girafa, o rinoceronte, os leões, a capivara e aves como o avestruz e a ema. O fato de ocorrer longos períodos de seca os insetos são mais abundantes durante o período chuvoso e os répteis durante o período seco.
As estações são marcadas por abundância de alimentos durante o período chuvoso e escassez de alimento no período seco, sendo que em anos mais secos os animais herbívoros sofrem com extrema fome e mortalidade. Desta forma, muitas espécies, principalmente de aves, não conseguem encontrar recursos suficientes para sobreviver neste bioma durante o ano inteiro e migram para outras áreas durante o período seco.
©iStockphoto.com/Karen Massier Entre os pólos e os trópicos, as florestas temperadas têm as estações dos anos bem definidas. |
É um bioma encontrado nas regiões situadas entre os pólos e os trópicos e abrange o oeste e o centro da Europa, leste da Ásia e o leste dos Estados Unidos, embora algumas fontes citem que no Chile as possua. As árvores dominantes das florestas temperadas são as que perdem suas folhas (decídua) durante o outono ficando em seguida dormentes. Por este motivo, também recebem o nome de floresta decídua caducifólia. O clima é temperado com médias anuais moderadas e caracteriza-se pela ocorrência de quatro estações bem definidas com os dias de invernos curtos e baixas temperaturas, inclusive abaixo de zero, podem perdurar por até seis meses. Esse bioma recebe de 750 a 1.500 mm de chuva por ano distribuído uniformemente.
Os solos são geralmente abundantes em matéria orgânica, com uma grande riqueza de ervas que crescem durante a primavera enquanto as árvores ainda estão sem folhas. Diversos animais fazem parte deste bioma como ursos, raposas e veados. No entanto, grande parte dos animais migra no outono-inverno e os que permanecem possuem adaptações que lhes permitem sobreviver em baixas temperaturas, como os que hibernam ou os que armazenam comida, como os esquilos, para ser usada durante o inverno. Estas florestas são, geralmente, dominadas por poucas espécies de plantas como são os casos de florestas de carvalho (Quercus) e de castanheiras (Castanea) da América do norte.
©iStockphoto.com/Randolph Jay Braun A agropecuária se confunde e muda a paisagem dos campos temperados |
Os campos temperados ocorrem em todos os continentes, como as pradarias da América do Norte e os pampas da América do sul. Esses biomas possuem precipitação anual de 250 a 750 mm e os verões são muito mais quentes que os invernos, com nítida diferença nas estações podendo sofrer secas sazonais. A vegetação predominante é herbácea, geralmente baixa. As populações de invertebrados como os gafanhotos são em geral muito grandes e sua biomassa pode ser maior que os vertebrados pastejadores como o bisão e o antílope da América do Norte. De todos os biomas esse é o mais utilizado e transformado por ações humanas, muitos dos alimentos são produzidos nestes biomas, como plantações de arroz e milho e criação de bovinos para leite e corte.
Regiões que recebem anualmente menos de 250 mm de chuva por ano. A reduzida precipitação deve-se a sua localização em áreas de alta pressão, onde se originam os ventos, o que impede a chegada de umidade nessas regiões, ou em áreas atrás de altas cadeias montanhosas ou em altitudes muito elevadas, e mesmo quando ocorrem em regiões que recebem uma maior precipitação, esta é distribuída de forma muito desigual. Nos desertos, o clima é geralmente quente, mas existem desertos frios como nas montanhas do Tibet na Ásia. Devido às grandes temperaturas nos desertos quentes as chuvas raras, fortes e de pequena duração não se infiltram no solo, evaporando rapidamente. Ocorre uma grande oscilação de temperatura variando em até 30° C entre a manhã e a noite.
©iStockphoto.com/Sean Randall Os desertos têm pouca vida animal e vegetal. |
Devido à baixa produtividade vegetal e a indigestibilidade dessas, a diversidade animal é baixa e muitos animais são nômades, que se deslocam constantemente pela necessidade de encontrar água. No deserto só alguns animais conseguem retirar água do seu alimento. Entre eles há vários artrópodes, lagartos, algumas aves e roedores como os da família Gerbillinae que apesar de não pertencerem à família dos ratos são chamados de ratos do deserto. Entre os mamíferos que habitam o deserto um dos mais conhecidos é o camelo que ao contrario que se pensava ao se alimentarem de vegetais ricos em líquido, como os cactos, não armazenam água nas suas bossas, mas sim gordura, e isto confere reservas para andar grandes distâncias sem beber água ou alimentar-se.
©iStockphoto.com/Marty Eby Longos invernos e verões amenos na tundra. |
A tundra é um bioma frágil devido à fina camada do seu solo fértil, que com o aumento dos impactos antrópicos, como a exploração mineral, pode ter seu solo facilmente destruído.
©iStockphoto.com No verão, o solo da Taiga se descongela |
Taiga ou Floresta Setentrional de Coníferas constitui um cinturão abaixo do Círculo Polar Ártico que limita o domínio da Tundra ocorrendo entre os paralelos 45° N e 70° Norte, da América do Norte até a Eurásia. Para a maioria dos autores não existem correspondentes no Hemisfério Sul. Outros classificam a Mata de Araucária, localizada no sul do Brasil, como um bioma correspondente.
Este bioma recebe menos de 300 mm de chuva por ano distribuída durante todo ano, e como a Tundra, possui duas estações bem distintas com o predomínio do inverno sobre o verão. O solo se congela durante o inverno, mas ao contrário do que ocorre na Tundra, no verão ele descongela totalmente. Porém, em algumas áreas como nas florestas de spruce (Picea) parte do solo continua congelado durante todo ano.
A forma vegetal dominante é formada por árvores de conífera, como os pinheiros (Pinus), abetos (Abies) e spruce (Picea), que possuem folhas adaptadas à falta de água, com pequena área e em forma de acículas (agulhas). A biomonotonia, que consiste em florestas onde apenas uma espécie de árvore é encontrada, caracteriza essa vegetação, podendo gerar condições ideais para o desenvolvimento de pragas e epidemias. Devido ao fato das árvores deste bioma permitir pouca passagem de luz para os estratos inferiores, aliado ao fato da baixa decomposição das folhas das coníferas no solo, o desenvolvimento arbustivo e herbácea é muito baixo. Além disso, algumas espécies são alelopáticas, impedindo o crescimento de outras plantas no solo e assim diminuindo a competição por água.
Entre os muitos animais que habitam a Taiga, como o alce, o tentinhão e tetraz, os que mais chamam a atenção são os que possuem oscilações em suas populações entre presa e predador, como o caso clássico da lebre americana e seu predador, o lince.
Chaparral ou “macchie”, como é conhecido na região do mediterrâneo, distribuem-se em regiões com clima temperado ameno, como a Califórnia, México, litoral do mar Mediterrâneo, Chile e Costa Meridional da Austrália. Estas áreas se caracterizam por possuir o inverno chuvoso e o verão seco.
©iStockphoto.com/H Peter Weber Moradia na região próxima ao mar Mediterrâneo. |
A vegetação consiste desde arbustos até árvores de pequeno e médio porte. Suas folhas são duras, grossas e permanecem sempre verdes. Sendo que, diversas espécies possuem micorrizas, associação íntima entre certos fungos e suas raízes, o que aumenta a chance de sobrevivência em condições adversas. O fogo é um importante fator ecológico, uma vez que, favorece o domínio de gramíneas. Além disso, uma grande quantidade de sementes só germina após a ocorrência de fogo, enquanto outras plantas rebrotam rapidamente após serem queimadas devido ao fato de armazenarem grande parte de seus nutrientes nas raízes.
Entre os animais presentes no Chaparral estão aves migratórias e o veado (Odocoileus hemionu), além de vertebrados pequenos e de cores apagadas, como coelhos, ratos, lagartos e pássaros que são residentes.
O bioma Caatinga se distribui por grandes áreas na America do Sul, no sudoeste africano e em algumas partes do sudoeste asiático. No entanto, alguns consideram a Caatinga como representantes do bioma de savana e outros o consideram um bioma exclusivo do Brasil.
A caatinga possui condições de umidade intermediárias entre o deserto e a savana, sendo a distribuição da precipitação irregular e moderada. A vegetação pode ser formada por herbáceas até árvores de 12 metros de altura, cobrindo densas áreas ou espalhadas e agrupadas. Essas plantas são latifoliadas com folhas pequenas ou ausentes que caem durante o período seco. A perda das folhas da vegetação da Caatinga é estratégica. Sem folhas, as plantas reduzem a superfície de evaporação quando falta água. Em períodos longos de estiagem a paisagem pode parecer de semi-desertos. Contudo, com o inicio da chuva as árvores voltam a se cobrir de folhas e pequenas plantas cobrem o solo.
Em regiões montanhosas ocorre uma grande diversidade de condições físicas, com isso em uma dada montanha podem existir um mosaico biomas subdivididos em muitas zonas. Como as serras geralmente não são contínuas podem ocorrer isolamentos entre comunidades, por outro lado o intercâmbio de espécies entre biomas diferentes pode ser maior que em regiões não montanhosas.
sábado, 24 de outubro de 2009
Introdução sobre como funcionam os biomas
©iStockphoto.com |
Os biomas diferem quanto à fisionomia, estrutura, e fatores ambientais relacionados ao clima, como temperatura, quantidade e distribuição das chuvas, solo e altitude.
Definições e histórico
O conceito de bioma, palavra que vem do grego e significa Bio = vida + Oma = grupo ou massa, foi criado por ecólogo norte americano Frederic Clements em 1943 e se caracterizaria pela uniformidade fisionômica do clímax vegetal e pelos animais mais relevantes, possuindo uma constituição biótica característica, ou seja, pela uniformidade e predomínio de espécies vegetais locais, bem como dos animais “característicos” da região. Desde a sua criação o termo vem sofrendo modificações e hoje possui diferentes acepções.
Vamos ver algumas mudanças desse conceito:
- O ecólogo americano Howard Thomas Odum, em 1971, define o termo de maneira semelhante a Clements, mas introduzindo o clima como constituinte dessa grande região.
- No mesmo ano, o também ecólogo americano Robert Whittaker restringe a abrangência dos biomas aos continentes em que se encontram.
- W. B. Clapham, Jr, em 1973, condiciona os biomas a fatores abióticos, em especial ao clima, assim um mesmo bioma pode ser formado em diversas e diferentes partes do mundo.
- Roger Dajoz, no mesmo ano, e depois Michael J. Crawley, no fim da década de oitenta, definem de forma parecida o termo bioma como sendo um agrupamento de fisionomia homogênea e independente da composição florística, sendo sua existência controlada pelo macroclima.
- Robert Whitaker em 1978, diz que biomas teriam dimensões subcontinentais e o bioma-tipo seria a soma de todos os biomas de um determinado tipo, nos diversos continentes. Desta forma a floresta tropical amazônica seria um bioma e as florestas tropicais do mundo constituiriam um bioma-tipo.
- Em 1960, H. Walter e H. Lieth elaboraram um tipo especial de diagrama ecológico de clima do mundo, classificando-o em nove zonas climáticas, que mais tarde tornaram-se dez, distribuídas praticamente como faixas latitudinais da Terra, que vão do equador aos pólos. Como o macroclima é de fundamental importância para a vegetação, cada uma dessas faixas representa uma grande unidade ecológica da geobiosfera, denominada zonobioma. Esse conceito considera o bioma como uma área de ambiente uniforme que pertence a um zonobioma. Leva-se ainda em consideração outros fatores ambientais como altitude e solo.
- Paul Colinvaux, em 1993, define bioma como ecossistema de grande área geográfica da qual as plantas são de uma mesma formação e o clima define seus limites.
- O ecólogo americano Timothy F. H. Allen, em 1998, defendeu que biomas são identificados pela forma de vida dominante.
Como se pode perceber não há um consenso sobre a definição do termo bioma. A ênfase em um ou outro aspecto vai depender relevância para a classificação dos biomas, assim como o conhecimento sobre a constituição da região estudada. Alguns, como a tundra e a taiga, são facilmente reconhecidos, classificados e determinados, outros dependem do enfoque que se deseja. Por exemplo, florestas tropicais englobam a floresta amazônica, a Mata Atlântica, a ilha de Madagascar, entre outras, porém, por suas características peculiares e necessidades, sejam elas administrativas, econômicas, sociais, ou pelo histórico regional podemos separá-las em biomas distintos, muito embora essa classificação possa ser alvo de crítica por diversos pesquisadores. Mas, a complexidade das áreas naturais, principalmente das tropicais, levam pesquisadores a considerar, por exemplo, a Mata Atlântica, como um mosaico de biomas.
Qual a diferença entre biomas e ecossistemas ?
Qual a diferença entre bioma e ecossistema? Essa é uma pergunta comum, porém a resposta não é tão óbvia. Para ilustrar, vamos ver as definições que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nos dá:“Ecossistema - Sistema integrado e auto-funcionante que consiste em interações dos elementos bióticos e abióticos e cujas dimensões podem variar consideravelmente.”
“Bioma - Conjunto de vida (vegetal e animal) definida pelo agrupamento de tipos de vegetação contíguos e identificáveis em escala regional, com condições geoclimáticas similares e história compartilhada de mudanças, resultando em uma diversidade biológica própria.”
Foto: David McNew, Getty Images Uma cidade como Los Angeles pode ser um ecossistema, mas não um bioma. |
Já em um bioma, o perfil do local e a dimensão possuem maior importância. Podemos analisar um bioma como um ecossistema, se formos entender o fluxo de energia e a relação entre os elementos bióticos e abióticos, porém um ecossistema qualquer só será considerado um bioma se suas dimensões forem regionais, ou seja, numa grande escala e ainda levarmos em conta como fatores abióticos o relevo e o macroclima, por exemplo. Em relação aos fatores bióticos, a fisionomia da vegetação é uma das principais características para classificar um bioma. Por outro lado, a relação planta/animal, essencial na compreensão de um ecossistema, não é um fator que influi diretamente sua classificação. Além do mais, o bioma será definido por “tipos” específicos, característicos de plantas e também, mas não tão importante, de animais.
Fonte: howstuffworks.com
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Como funcionam as unidades de conservação
- África - 7,8%
- Ásia - 5,6%
- América Central - 9,7%
- Europa- 0,3%
- América do Sul - 54,8%
Cerca de 50% das florestas brasileiras se encontram em áreas públicas. No caso da Amazônia, por exemplo, 75% delas estão em áreas públicas.
Segundo a LBA (2005) (Large Scale Biosphere-Atmosphere Experiment in Amazonia ou Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia), desse total as Unidades de Conservação e Terras Indígenas, ou seja, as áreas protegidas juntas, representam 30 pontos percentuais - e os outros 45 pontos percentuais são de terras públicas de uso ainda não definido ou desprotegidas. Nas próximas páginas, saiba o que são as unidades de conservação e qual o perfil dessas unidades brasileiras, o que está mudando nesse assunto e algumas curiosidades.
O que são as unidades de conservação
São áreas protegidas por lei, de acordo com sua função e utilidade para o equilíbrio do meio e o bem estar do homem. Não são apenas bens públicos: são bens comuns.
Jefferson Ruddy/MMA |
A Lei 9885, que instituiu o Snuc (Sistema Nacional de Unidades de Conservação), em 2000, define como Unidade de Conservação “...o espaço territorial e seus recursos ambientais, incluindo as águas jurisdicionais, com características naturais relevantes, legalmente instituído pelo Poder Público, com objetivos de conservação e limites definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção”.
Instituídas pelo poder público, as UCs podem se localizar em áreas públicas ou privadas. Podem ser federais, estaduais e municipais e, de acordo com a possibilidade de interferência humana no meio, são divididas em dois grandes grupos: unidades proteção integral e unidades de uso sustentável.
Nas primeiras, o objetivo básico é preservar a natureza, sendo admitido apenas o uso indireto dos seus recursos naturais, com exceção dos casos previstos no Snuc. Nas unidades de uso sustentável a idéia é compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável de parte dos recursos existentes.
Cada um desses grupos se subdivide em categorias, de acordo com sua função ou sua vocação como área protegida.
O grupo das unidades de Proteção Integral é composto por:
- Estações ecológicas;
- Reservas biológicas;
- Parques nacionais;
- Monumentos naturais e
- Refúgios de vida silvestre.
As únicas atividades permitidas nessas áreas são a pesquisa científica e a visitação (exceto nas estações ecológicas e reservas biológicas, onde a visitação pública é proibida).
O grupo das unidades de uso sustentável compreende:
- Áreas de proteção ambiental;
- Áreas de relevante interesse ecológico;
- Florestas nacionais;
- Florestas estaduais;
- Florestas municiais;
- Reservas de fauna;
- Reservas de desenvolvimento sustentável e
- Reservas particulares do patrimônio natural.
Nestas áreas, são permitidas várias atividades, tais como exploração de madeira, turismo, extrativismo e até mineração, desde que realizadas em consonância com o plano de manejo da unidade e com preceitos de gestão de recursos que se convencionou chamar de sustentáveis. As exceções aqui são as reservas de fauna e de desenvolvimento sustentável, onde é proibida a caça, tanto para consumo quanto para comércio, e as reservas extrativistas, onde, além da caça, é proibida a exploração de recursos minerais.
Uma das principais idéias das unidades de uso sustentável é o engajamento da população tradicional que vive nos lugares, um conceito que você nas próximas páginas vai entender como mudou no decorrer do tempo.
Veja na tabela abaixo as diferentes categorias de UCs, segundo sua função e objetivo:
| Tabela I – Unidades de Conservação por domínio, uso e objetivos | ||||||
| Unidades de Conservação de Proteção Integral | ||||||
| Tipo de UC | Posse e domínio | Objetivo | Visitação pública | Pesquisa Científica | Alterações permitidas no ecossistema | |
| Estação Ecológica | públicos | preservação da natureza e realização de pesquisas científicas | proibida, exceto com objetivo educacional, de acordo com Plano de Manejo | depende de autorização do órgão responsável pela administração da unidade | restauração de ecossistemas modificados; manejo de espécies para preservar a diversidade; coleta de amostras com fins científicos; pesquisas cujo impacto seja maior do que o causado por observação | |
| Reserva Biológica | públicos | preservação integral da biota e demais atributos naturais existentes em seus limites, sem interferência humana direta ou modificações ambientais | proibida, exceto com objetivo educacional, de acordo com Plano de Manejo | depende de autorização do órgão responsável pela administração da unidade | A legislação do Snuc não especifica | |
| Parque Nacional (Parque Estadual e Parque Municipal) | públicos | preservação de ecossistemas naturais de relevância ecológica e beleza, estímulo à pesquisa e atividades educacionais | permitida e sujeita às normas estabelecidas pelo órgão responsável e pelo Plano de Manejo | depende de autorização do órgão responsável pela administração da unidade | A legislação do Snuc não especifica | |
| Monumento Natural | Públicos ou particulares, desde que os objetivos da unidade e os da utilização privada da terra e dos recursos sejam compatíveis | preservar sítios naturais raros, singulares ou de grande beleza cênica | permitida e sujeita às normas estabelecidas pelo órgão responsável e pelo Plano de Manejo | A legislação do Snuc não especifica | A legislação do Snuc não especifica | |
| Refúgio de Vida Silvestre | Públicos ou particulares, desde que os objetivos da unidade e os da utilização privada da terra e dos recursos sejam compatíveis | proteger ambientes onde se assegura a existência ou reprodução de espécies ou comunidades da flora local e da fauna residente ou migratória | permitida e sujeita às normas estabelecidas pelo órgão responsável e pelo Plano de Manejo | depende de autorização do órgão responsável pela administração da unidade | A legislação do Snuc não especifica | |
| Unidades de Conservação de Uso Sustentável | ||||||
| Tipo de UC | Posse e domínio | Objetivo | Visitação pública | Pesquisa Científica | Observações | |
| Área de Proteção Ambiental | públicos ou privados. Área em geral povoada, dotada de atributos especialmente importantes para a qualidade de vida e o bem-estar das populações humanas | proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais | nas áreas sob domínio público serão estabelecidas normas pelo órgão gestor da unidade. Nas sob domínio privado, cabe ao proprietário a definição. | nas áreas sob domínio público serão estabelecidas normas pelo órgão gestor da unidade. Nas sob domínio privado, cabe ao proprietário a definição. | podem ser estabelecidas normas e restrições para a utilização de uma propriedade privada localizada em uma Apa | |
| Área de Relevante Interesse Ecológico | Públicos ou privados. Área em geral de pequena extensão, com pouca ou nenhuma ocupação humana, com características naturais peculiares ou que abriga exemplares raros da biota regional | manter os ecossistemas naturais de importância regional ou local e regular o uso admissível dessas áreas | A legislação do Snuc não especifica | podem ser estabelecidas normas e restrições para a utilização de uma propriedade privada localizada em uma Arie. | ||
| Floresta Nacional | Públicos, mas é admitida a permanência de populações tradicionais que a habitavam quando de sua criação | uso múltiplo sustentável dos recursos florestais e a pesquisa científica, com ênfase em métodos para exploração sustentável de florestas nativas | permitida, condicionada às normas estabelecidas para o manejo da unidade | incentivada, sujeitando-se à prévia autorização do órgão responsável por sua administração | Disporá de Conselho Consultivo, presidido pelo órgão administrador e constituído por membros de órgãos públicos, de oscips e das populações tradicionais residentes | |
| Reserva Extrativista | público, com uso concedido às populações extrativistas tradicionais conforme o disposto no art 23 do Snuc | proteger os meios de vida e a cultura dessas populações, e assegurar o uso sustentável dos recursos naturais da unidade. É proibida a caça amadora ou profissional e a atividade mineradora | permitida, desde que compatível com os interesses locais e o disposto no Plano de Manejo | incentivada, sujeitando-se à autorização do órgão responsável por sua administração | gerida por um Conselho Deliberativo, presidido pelo órgão administrador e constituído por membros de órgãos públicos, de oscips e das populações tradicionais residentes | |
| Reserva de Fauna | públicos | estudos técnico-científicos sobre o manejo econômico sustentável de recursos faunísticos. É proibida a caça amadora ou profissional | pode ser permitida, desde que compatível com o manejo da unidade | | | |
| Reserva de Desenvolvimento Sustentável | Públicos. Área que abriga populações tradicionais, cuja existência baseia-se em sistemas sustentáveis de exploração dos recursos naturais, que têm um papel fundamental na proteção da natureza | assegurar as condições e os meios necessários para a reprodução e a melhoria dos modos e da qualidade de vida e exploração dos recursos naturais das populações residentes. É admitida a exploração de componentes dos ecossistemas naturais em regime de manejo sustentável e a substituição da cobertura vegetal por espécies cultiváveis, desde que sujeitas ao zoneamento, às limitações legais e ao Plano de Manejo da área | Permitida e incentivada, condicionada às normas estabelecidas para o manejo da unidade | permitida e incentivada a visitação pública, desde que compatível com os interesses locais e com o Plano de Manejo | gerida por um Conselho Deliberativo, presidido pelo órgão administrador e constituído por membros de órgãos públicos, de oscips e das populações tradicionais residentes | |
| Reserva Particular de Patrimônio Natural | Privado | conservar a diversidade biológica | Permitida, com fins turísticos, recreativos e educacionais | permitida | | |
Em 2007, de acordo com o Ibama, existiam 727 unidades de conservação federais, sendo 601 de uso sustentável e 126 de proteção integral. A região campeã em áreas de proteção integral sob a jurisdição da União é a Norte, com 33 UCs federais, seguida pelo Nordeste, com 30. O Norte, ou mais especificamente a Amazônia, tem também o maior número de unidades federais de uso sustentável (aqui não estão sendo computadas as RPPNs), com 75 UCs, seguido de longe pelas regiões Sudeste e Nordeste, empatadas com 30 UCs cada. Veja os números por região.
| Unidades de Conservação federais de Proteção Integral por regiões brasileiras | |||||
| Tipo de UC | Centro-Oeste | Nordeste | Sudeste | Sul | Norte |
| Estação Ecológica | 3 | 6 | 5 | 6 | 12 |
| Rebio | 1 | 8 | 9 | 3 | 8 |
| Parque Nacional | 7 | 16 | 12 | 14 | 13 |
| Monumento Natural | --- | --- | --- | --- | --- |
| Refúgios de vida silvestre | | 1 | | 2 | |
| TOTAL | 11 | 30 | 26 | 25 | 33 |
| Fonte: Ministério do Meio Ambiente | |||||
| Unidades de Conservação federais de Uso Sustentável por regiões brasileiras | |||||
| Tipo de UC | Centro-Oeste | Nordeste | Sudeste | Sul | Norte |
| Apa | 6 | 9 | 10 | 4 | 2 |
| Arie | 1 | 3 | 8 | 2 | 3 |
| Flona | 3 | 9 | 10 | 13 | 38 |
| RDS | --- | --- | --- | --- | 1 |
| Resex | --- | 9 | 2 | 8 | 31 |
| TOTAL | 10 | 30 | 30 | 27 | 75 |
| Fonte: Ministério do Meio Ambiente | |||||
| RPPNs federais por regiões brasileiras | |||||
| RPPN | Centro-Oeste | Nordeste | Sudeste | Sul | Norte |
| 46 | 74 | 102 | 167 | 30 | |
| Fonte: Ministério do Meio Ambiente | |||||
Fonte: howstuffworks.com


